Um local de morte

 

A passagem de nível de São João do Estoril, a única na linha de Cascais, foi recentemente notícia devido a alguns acidentes/incidentes, de que resultou a morte de algumas pessoas.

Tudo isto acontece porque se arrasta há décadas a execução do encerramento desta passagem de nível, conforme plano que existiu para linha de Cascais e que é uma medida importante no plano da segurança da circulação ferroviário, mas também de redução dos constrangimentos relativamente à velocidade.

A falta de medidas para resolver um problema que existe, transforma um local que devia ser de segurança, num local de morte. É óbvio que há sinalização de aproximação de comboio devidamente visível e audível, mas tem-se mostrado ser insuficiente.

Durante muito tempo o sistema de alerta sonoro e luminoso instalado coexistiu com a presença de trabalhadores no local, com a função de guarda de passagem de nível, que sempre reforçavam a chamada de atenção das pessoas que atravessam no local.

Mas para a empresa pública responsável pela infraestrutura ferroviário – hoje Infraestruturas de Portugal – as vidas humanas têm menos valor que os custos com um posto de trabalho que foi extinto.

Exige-se da Câmara Municipal de Cascais medidas concretas que a curto/médio prazo se proceda ao encerramento da passagem de nível e da IP – Infraestruturas de Portugal que reforce a segurança com a recolocação de um(a) trabalhador(a) com a função de guarda de passagem de nível como elemento de reforço da segurança.

Por outro lado, é preciso que haja um trabalho de encaminhamento das pessoas para a passagem desnivelada existente, mas para isso é necessário que os equipamentos existentes – elevadores – sejam colocados ao serviço, para que sejam utilizados por quem tem mais dificuldade em descer e subir escadas.

Na gestão pública é necessário ter em conta que qualquer vida humana não pode ser posta em causa por medidas meramente economicistas, que raramente resolvem problemas de fundo das empresas.

José Manuel Oliveira