Voleibol Dramático de Cascais

Entrevista com Ana Albuquerque

No inicio do século XX em Cascais, existiam algumas associações que pretendiam atrair a si as atenções dos cascalenses. Por isso, as rivalidades eram muito grandes e, por vezes as invejas traduziam-se no espírito de mal dizer e, consequentemente, conduziam ao resfriar de iniciativas.

É neste contexto  que nasce o Grupo Dramático e Sportivo de Cascais em 1915, inicialmente como uma récita teatral sobre a critica da sociedade local. Seria a Revista Sapatadas que se tornou um sucesso e estreou a 9 de Maio de 1915. Finda a representação, este grupo decide fundar um grupo dramático que se chamou Grupo Dramático e Sportivo Álvaro Leal e ficou definido que a finalidade do Grupo seria o teatro e o desporto.

A 31 de Maio de 1915, foi realizada uma assembleia geral onde ficou decidido mudar o nome de Grupo Dramático e Sportivo Álvaro Leal para Grupo Dramático e Sportivo de Cascais. Neste momento nasce o primeiro emblema do Grupo sob a égide “Arte, Sport e Bem

Foi nesta instituição centenária e parte integrante da história de Cascais, que realizamos a nossa entrevista. O Voleibol Feminino no Dramático de Cascais é uma secção em franco crescimento e fomos cordialmente recebidos por Ana Albuquerque.

Coordenadora geral da modalidade desde a época 2013/14, Ana Albuquerque começou como seccionista na época anterior.

Mãe de duas atletas e aficionada pela modalidade, começou por acompanhar os treinos e os jogos acabando, inevitavelmente, por se envolver ajudado na secção da modalidade.

Com o afastamento do coordenador na época 13/14, acabou por assumir essas funções, que mantém até hoje com muito carinho e orgulho.

PC – Ana, como começou o apoio ao Voleibol Feminino pelo Dramático de Cascais?

AA – O Grupo Dramático e Sportivo de Cascais é uma instituição de utilidade publica que quase há cem anos se dedica à “Arte, Sport e Bem”, no concelho de Cascais. Com o passar do tempo, foi direccionando a sua actividade para o desporto, acabando hoje por ser uma das principais entidades promotoras de actividades desportivas do nosso concelho, principalmente junto das camadas mais jovens.

PC – A modalidade do Voleibol Feminino tem quanto tempo de actividade desportiva no Dramático?

AA – Uma das várias modalidades desportivas que o GDSC tem vindo a apoiar e a desenvolver, é o Voleibol feminino, que conta já com cerca de quatorze anos de existência no clube.

O projecto existe no clube há cerca de 14 anos e com orgulho podemos afirmar que ao longo deste tempo formamos centenas de jovens raparigas, muitas delas ainda hoje se mantêm activas, jogando em vários clubes do país.

O clube tem como objectivo proporcionar às jovens do concelho a prática do voleibol e dar mais visibilidade à modalidade nesta zona do país.

PC – E tem sido uma modalidade sempre em crescimento?

AA – Ao longo do tempo a modalidade tem sofrido alguns contratempos, mas de há 7 anos para cá, precisamente na sequência de uma crise profunda que chegou a pôr em causa a própria subsistência da modalidade do clube, a Direcção, apoiada por alguns pais e pelos treinadores, iniciou um novo ciclo que se tem mantido em sentido ascendente.

Este crescimento tem sido mais notório nos últimos 3 anos, com o crescimento do numero de atletas praticantes foi possível melhorar as condições de treino, adicionar mais pessoal à equipa técnica e à secção, melhorar resultados e tudo isto leva a uma maior visibilidade da modalidade e a uma consequente procura da modalidade pelas jovens.

Hoje o cube conta com quase uma centena de praticantes, com idades entre os 7 e os 17 anos.

PC – Há alguma idade recomendada para começar no Voleibol Feminino?

AA – Não existe uma idade mínima para iniciar, mas é desejável que as jovens iniciem o contacto com a bola e com a modalidade por volta dos 7 anos, idade em que a coordenação motora já é suficiente para “brincar” com a bola e aprender os gestos técnicos mais básicos e ganhar interesse e gosto pelo voleibol.

PC – E quais são os benefícios que daí resultam?

AA – A prática da modalidade traz obviamente benefícios para a saúde das jovens atletas, mas sendo o voleibol feminino um jogo muito táctico, permite às jovens desenvolver uma maior capacidade de concentração, o que acaba por ser transportado para a vertente académica, e permite uma melhor organização / gestão do tempo. Mostra a experiência que melhores atletas são melhores alunas e que a prática desportiva beneficia a vertente académica.

PC – E aqui o Grupo Dramático e Sportivo de Cascais tem sido uma ajuda?

AA – O GDSC é um clube que se dedica fundamentalmente à formação das jovens, sem nunca esquecer a vertente competitiva, ou seja, o principal objectivo é formar jogadoras de voleibol tanto na componente desportiva como na componente pessoal na transmissão de valores como ética desportiva, camaradagem, espírito de equipa, dedicação, respeito, partilha e sobretudo os valores de saber ganhar e saber perder.

PC – E o Voleibol Feminino é uma aposta do GDSC?

AA – O clube pretende continuar a aumentar o número de praticantes, bem como ter todos os escalões de formação.

Também é um objectivo já para a próxima época, retomar o projecto de seniores. O escalão de seniores é muito importante, não só por ser a equipa de competição por excelência, como é a inspiração de todas as jovens ainda em formação.

PC – A competição é uma fonte de inspiração para as atletas mais novas?

AA – Todas as jovens olham com admiração para as colegas seniores e estas sabem a responsabilidade que têm, e não desiludem, por serem o exemplo das mais jovens.

Na presente época não foi possível inscrever uma equipa de seniores mas já se trabalha para constituir uma equipa para a época 2020/2021.

PC – E quanto a resultados desportivos?

Para a presente época, há grandes expectativas de que a equipa de juvenis se classifique para competir nos nacionais e também alguma esperança que as juniores, que na época passada conseguiram disputar os nacionais, voltem a conseguir fazê-lo.

O clube acredita que tem atletas em formação com um enorme potencial desportivo e por isso, neste momento, tem uma atleta a frequentar treinos de observação para a selecção nacional e cinco para a selecção regional. Aguarda-se com esperança e tranquilidade para saber se alguma destas atletas foi seleccionada.

PC – O lema do Dramático “Arte Sport e Bem” aplica-se também à vossa modalidade?

AA – Um dos valores que está no lema do clube é o “Bem”, no clube ninguém fica sem praticar por dificuldades, seja em que modalidade for.

O clube tem um protocolo com a associação Faz Parte, e actualmente na secção do voleibol do Dramático existem 6 meninas a treinar em virtude deste protocolo no escalão de minis. O objectivo deste protocolo passa por estimular a presença na escola e melhoria de notas através do Desporto.