Carlos Carreiras responsabiliza Basílio Horta pelo valor da tarifa da água em Cascais

 

Em reunião da Câmara Municipal de Cascais, realizada no dia 17 de Dezembro, o Presidente  Carlos Carreiras explicava aos vereadores da oposição que um dos motivos pelo qual não consegue reduzir as tarifas da água no concelho é da responsabilidade do Presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta.

Carreiras reclama que a retirada da licença de construção da ligação do 3º adutor ao depósito de água em Sintra, por parte de Basílio Horta, não permite reduções nas tarifas da água.

Na sua intervenção Carlos Carreiras garantiu que “em 2020 e 2021 não aumenta a água” mas que há ainda o problema do 3º adutor por resolver (estrutura da rede de abastecimento de água, transporta a água de um reservatório a um determinado lugar).

Esta situação surgiu após a construção do 3º adutor, cuja obra da estrutura da rede de abastecimento foi realizada, mas que nunca chegou a ser ligada ao reservatório construído em Sintra para abastecer o concelho de Cascais.

Para percebermos melhor o problema é necessário recordar que o abastecimento de águas de Cascais é proveniente de três origens: do sistema do adutor da Empresa das Águas Livres (EPAL), da água captada e tratada no concelho pela Águas de Cascais (AdC) e da água comprada aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Sintra (SMAS).

Por ano, Cascais necessita (dados 2017) de cerca de 19 milhões de m3 de água para consumo através do sistema de abastecimento da Águas de Cascais (AdC).

Gráfico retirado do relatório Matriz da Água de Cascais 2019

As três origens da  água aduzida ao sistema tem o seguinte peso: água adquirida à EPAL (90,6%), captações próprias e tratamento da AdC (9,1%), e água adquirida aos SMAS de Sintra (0,3%).

A água adquirida atualmente à EPAL entra em Cascais através de uma conduta adutora, situada no Bairro da Mina (São Domingos de Rana) na zona Este do concelho.

Para melhorar a rede de abastecimento e fazer face às novas necessidades do concelho foi construído um reservatório superior, na zona Nordeste do concelho, cuja água será fornecida pelo reservatório da EPAL de Vila Fria, e que através do 3º adutor irá fornecer água aos diversos reservatórios de Cascais.

E é precisamente a construção desse novo reservatório na zona Nordeste do concelho, em Trajouce, Sintra, que surge a polémica agora levantada pelo autarca de Cascais.

Carlos Carreiras alega que a construção do reservatório em Trajouce, Sintra, que será ligado ao 3º adutor para abastecer Cascais, tinha sido acordado com a Câmara de Sintra, durante o executivo de Fernando Seara, e que este projeto permitiria capitalizar reduções nas tarifas da água pelo efeito da diminuição do custo do transporte.

Para esse motivo a Câmara de Cascais comprou um terreno em Sintra, para construção do depósito de água, e licenciou a obra de ligação ao 3º adutor que foi aprovada ainda no mandato de Fernando Seara.

Nas suas alegações, Carlos Carreiras, explicou que o atual autarca de Sintra, Basílio Horta, retirou a licença emitida o que impossibilita a ligação do depósito ao 3º adutor.

E acrescenta que esta decisão  traduz-se num forte impacto financeiro para Cascais e inviabiliza a possibilidade de redução de custos no serviço de abastecimento de águas ao concelho.

O Portal Cascais enviou um email ao Presidente da Câmara de Sintra a pedir mais esclarecimentos, contudo, até ao momento não obteve resposta.

Poderá visualizar as respectivas declarações no seguinte vídeo: