Actualmente, não deve existir nenhuma autoridade de saúde pública que tenha dúvidas sobre os malefícios do tabaco, que causa doenças em quase todos os órgãos do corpo humano. Os próprios fumadores, mas também os não fumadores, tem actualmente informação suficiente para terem igualmente as mesmas respostas.

Contudo, o que ainda não foi amplamente difundido, é o facto de a indústria do tabaco utilizar animais em laboratório para efectuar testes cruéis e torturantes.

Na realidade, as primeiras experiências com animais, da indústria do tabaco, começaram nos anos setenta, quando se procurava estabelecer a hoje a relação entre o hábito de fumar e o desenvolvimento do enfisema pulmonar. Mesmo violando qualquer padrão de ética na altura, sabemos hoje que o tabaco é responsável por:

  • 90% de todos os cancros do pulmão
  • 75% das bronquites crónicas e enfisema pulmonar
  • 25% das doenças isquémicas cardíacas
  • Quando uma grávida fuma, existe um risco aumentado de aborto espontâneo e parto prematuro, baixo peso do feto e do recém-nascido e de morte súbita do lactente
  • Que em 1975 o número de mortes devidas ao tabaco foi superior a 1 milhão e em 2000 pensa-se que 5 milhões de mortes terão sido devidas ao consumo de tabaco. Para 2025 a estimativa é de 10 milhões de mortes devidas ao consumo de tabaco

Contudo, hoje em 2020, passadas 4 décadas, continuam-se a efectuar os mesmos testes em animais.

Testes de tortura

Animais tabacoEntre os  vários testes que ainda hoje se realizam, os animais são forçados a respirar o fumo de cigarro até seis horas seguidas, todos os dias, durante três anos. Naturalmente e por instinto, os animais evitam respirar o fumo, pelo que os laboratórios encontraram soluções como criar uns tubos onde os ratos de laboratório são forçados a entrar e o fumo de cigarro é “bombeado” directamente para o nariz.

Noutros testes efectuam-se traqueotomias em macacos e cães (preferencialmente raça beagle) para inserir tubos que conduzem o fumo directamente aos seus pulmões.

Outro teste realizado em ratos consiste em aplicar alcatrão directamente na pele para induzir o crescimento de tumores cutâneos.

Exemplos específicos de experiências com cigarros incluem:

Animais tabaco

• 2011 – Num estudo para testar os efeitos da adição de ingredientes como mel, açúcar, sumo de ameixa, óleo de limão, chocolate, cacau e extracto de café aos cigarros, os pesquisadores da Philip Morris enfiaram milhares de ratos em pequenas latas que bombeavam o fumo do tabaco directamente no nariz, seis horas por dia, durante 90 dias consecutivos. Os ratos foram então mortos e dissecados para examinar os danos causados ​​a seus corpos. Link do estudo.

• 2006 – Para testar os efeitos do uso de xarope de milho com alto teor de frutose para aromatizar os cigarros, os pesquisadores do RJ Reynolds espalharam alcatrão na pele de mais de 1.000 ratos e forçaram-nos a respirar o fumo de cigarro. Muitos dos ratos que haviam espalhado alcatrão na sua pele morreram durante o estudo. Outros ratos tiveram a sua pele descascada e desenvolveram tumores de pele. Todos os animais sobreviventes foram mortos e dissecados. Link do estudo.

• 2005 – Os pesquisadores da Philip Morris submeteram 1.000 ratos a dois anos respirando o escape de motor a diesel ou o fumo passivo de cigarro durante seis horas por dia, sete dias por semana, apenas para comparar os efeitos da exposição nos pulmões. Link do estudo.

• 2011 – Dezenas de macacos fêmeas grávidas presas em pequenas gaiolas de metal tiveram tubos implantados cirurgicamente para sujeitá-los a um fluxo contínuo de nicotina nos últimos quatro meses de gravidez. Alguns dias antes do termo da gravidez, os pesquisadores cortaram os fetos das mães, mataram e dissecaram os bebés prematuros, a fim de determinar os efeitos da exposição à nicotina em seus corpos, num estudo que foi financiado com dinheiro dos contribuintes, pelo Oregon Regional Primate Research Center (ORPRC), da Universidade de Ciências da Saúde de Oregon. Link do estudo.

Quais as alternativas a estes métodos?

Os fabricantes podem usar, efectivamente, a tecnologia in vitro (não animal), métodos de pesquisa com base em seres humanos e o vasto conjunto de conhecimento existente de estudos epidemiológicos e clínicos em humanos sobre os problemas de saúde associados ao tabagismo. Os cientistas da indústria do tabaco concluíram que “os testes de toxicologia in vitro podem ser utilizados com sucesso, tanto para entender melhor a actividade biológica do fumo do cigarro, quanto para orientar o desenvolvimento de cigarros com toxicidade reduzida”. Referência

Países como Bélgica, Estónia, Alemanha, Eslováquia ou Reino Unido criaram legislação a proibir testes de produtos e ingredientes de tabaco em animais.

Humanos versus Animais

Os testes em animais além de cruéis, mostram-se também irrelevantes para a saúde humana. Animais diferentes têm reacções diferentes a toxinas, e animais em laboratórios não são expostos ao fumo do cigarro da mesma maneira ou período de tempo que os fumadores humanos.

A ligação entre tabaco e o cancro de pulmão em humanos foi obscurecida durante muitos anos porque os dados obtidos de testes em animais não mostraram essa relação. Um artigo recente de um consultor da indústria do tabaco, relatou que os resultados de anos de estudos de inalação de cigarros em ratos, hamsters, cães e macacos, não mostraram aumentos significativos no desenvolvimento de tumores cancerígenos e estavam “claramente em desacordo com as evidências epidemiológicas em fumadores e é difícil conciliar essa grande diferença entre estudos observacionais em seres humanos e estudos laboratoriais controlados agora em cinco espécies animais diferentes. ” Referência

A utilização de animais para fins científicos encontra-se regulamentada em Portugal e requer que os estabelecimentos onde os animais são alojados, as pessoas que os utilizam, bem como os projectos em que os mesmos sejam envolvidos estejam previamente autorizados pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) que é a autoridade competente responsável pela implementação da legislação relativa à “proteção dos animais utilizados para fins científicos”.

– Segundo a DGAV, no último relatório referente a 2017, existiam em Portugal para fim de investigação em laboratório 52983 animais.