Democracia sim… mas quem manda sou eu

Poderia ser o título de uma longa-metragem com contornos de comédia mas acaba por ser um reflexo do que aconteceu hoje em reunião de câmara com Carlos Carreiras a cortar a palavra ao vereador de forma agressiva.

Em Cascais foi realizada hoje, dia 21 de Abril, a segunda reunião de câmara em regime de videoconferência transmitida em directo no canal do Youtube da Câmara Municipal de Cascais.

Apesar dos habituais constrangimentos na utilização desta nova ferramenta, a sessão decorria com grande normalidade e dentro de um salutar espírito de participação e respeito democrático.

Decorria com serena tranquilidade até ao momento em que o vereador João Ruivo, do Partido Socialista, questiona o vereador do executivo, Frederico de Almeida, sobre a questão dos tablets.

Na sua intervenção, o vereador João Ruivo refere “em relação à questão dos tablets, eu gostaria de perguntar ao senhor vereador Frederico de Almeida se a marca [empresa informática] ofereceu aqueles tablets à Câmara de Cascais?”.

No entender do vereador do PS a questão coloca-se devido à publicidade e destaque dado pela Câmara à empresa informática no vídeo institucional da entrega dos tablets.

E no seu pedido de esclarecimento afirma “que se a Câmara comprou os tablets, o vídeo promocional que a Câmara fez à marca dos tablets é vergonhoso. Aquela publicidade só se justificaria caso os equipamentos tenham sido oferecidos à Câmara…”

Neste momento o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, interrompe o vereador do PS acusando-o de ser demagogo e pede que conclua de imediato a sua intervenção.

E se até esta altura a sessão decorria com tranquila serenidade a partir daqui acabou. Carlos Carreiras ameaça tirar a palavra ao vereador João Ruivo, que por sua vez, não reconhece o direito ao presidente da Câmara para o fazer.

O nível de exaltação entre ambos chega ao ponto em que o presidente da Câmara, Carlos Carreiras, claramente enervado, em vez de desligar o vereador da videoconferência desliga-se a ele próprio.

A situação é reposta acabando o Presidente da Câmara por retirar a palavra ao vereador sem que entretanto qualquer esclarecimento à questão levantada tenha sido respondida.

A palavra é passada ao vereador Luís Miguel Reis, do Partido Socialista, que inicia, em tom irónico, a sua intervenção agradecendo “o privilégio de poder falar…”.

O momento não enaltece a democracia e o vídeo acabou por ser retirado no canal Youtube da câmara passados poucos minutos.