O socialismo não tem lugar no Hospital de Cascais

 

O Hospital de Cascais, e o novo concurso da Parceria Público-Privada (PPP) para a gestão do mesmo, tem sido tema de inúmeros comentários de todo o espetro político.

É natural que assim seja. É uma unidade de saúde pública, mas gerida por privados, e normalmente no topo de diversas avaliações feitas a unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Este conceito de um hospital público eficientemente gerido por privados, que presta um bom serviço à comunidade, fazendo simultaneamente uma utilização mais eficiente dos nossos impostos e que, por isso, permite libertar recursos para outras atividades, é o modelo que devíamos ter em todo o sistema de saúde (e não só).

Prova disso é também o recente relatório da UTAP (Unidade Técnica de Acompanhamento de Projetos) que concluiu que, no caso da PPP do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a poupança acumulada para o Estado, entre 2012 e 2017 foi de 167 milhões de euros face aos custos de gestão pública.

Para os partidos ditos de esquerda, no bom estilo socialista em que a ideologia do coletivo se sobrepõe ao bem estar de cada um (e à saúde dos mais desfavorecidos que são quem mais utilizam o SNS), o objetivo declarado do Bloco de Esquerda e do PCP é que o mesmo passe a ser gerido pelo Estado.

O próprio PS, igualmente preso à ideologia do coletivo socialista, apenas muito timidamente vem defender a nova PPP para o Hospital de Cascais, hesitando no reconhecimento das vantagens de uma gestão privada para melhor servir os utentes (neste caso os cascalenses e parte dos sintrenses).

O PS, seguindo esta mesma linha ideológica, chumbou uma proposta da Iniciativa Liberal, no âmbito do Orçamento de Estado para 2020, que propunha a subcontratação de especialidades no setor privado para combater listas de espera.

Para dar um exemplo de apenas uma pequena diferença da qualidade do serviço entre a gestão privada e a gestão pública, no Hospital de Cascais, a admissão de utentes para as consultas de especialidade é feita por um sistema de postos de atendimento automáticos, assistidos por uma funcionária que educadamente e profissionalmente assiste quem é menos familiar com a tecnologia. O tempo de espera é de 1 ou 2 minutos no máximo.

Por comparação, na USF Cidadela, em Cascais, o atendimento é feito por duas funcionárias igualmente educadas e profissionais. Mas o sistema de atendimento é manual, com recurso a senhas de supermercado, e ao habitual recurso à mensagem, repetida (pelas funcionárias) dezenas de vezes todo o dia em voz alta e através um sistema de altifalantes roucos “senha rosa 45, consulta marcada”.

As cores variam. O tempo de espera é normalmente superior a 15 minutos, mas não há estatísticas exatas neste sistema manual.

O sistema de marcações pela Internet não funciona e ninguém atende o telefone.

Apenas a teimosia ideológica força utentes e funcionários a todo este desperdício de tempo e recursos. Tempo e recursos que poderiam ser aplicados noutras áreas, mas isso pouco interessa.

O que interessa é que seja o Estado a gerir. O coletivo acima do individual, sempre e mesmo que isso se faça à custa da saúde e do trabalho dos cidadãos.

Deixemos a iniciativa privada (a que melhor proposta oferecer) gerir uma unidade de saúde, onde a PPP do Hospital de Cascais tem sido um exemplo a nível nacional.

Para a Iniciativa Liberal, o socialismo não tem lugar no Hospital de Cascais, e ainda bem.

 

Miguel Barros